SYnergia

Os Divergentes – crónica Diário do Minho

Crónica semanal de Ricardo Sousa no Diário do Minho

Vivi esta última semana dois momentos de extrema satisfação pessoal. Um deles, a abertura da SYnergia Guest House, que considero mais uma grande conquista dos jovens da cidade de Braga. Um sonho difícil, pelo risco assumido, mas fundamental para dar resposta ao turismo juvenil internacional que a cidade vive nesta última década.

O outro, num cariz mais formal, diz respeito ao Conselho Consultivo realizado pela mesma associação SYnergia e que, numa mesa, senta as várias instituições parceiras com responsabilidades na área da juventude de Braga e de Portugal.

Consideramos um método inovador mas, acima de tudo, essencial para quem quer estar a trabalhar a juventude na sua transversalidade. Saber ouvir e aconselhar-se é a maior virtude que esta associação preconiza no seu trabalho diário.
Neste momento de pensamento crítico dos desafios a lançar para o futuro, existe uma dúvida muito grande em relação ao próprio presente.

Se na fundação do SYnergia se assumia um objetivo normal de trabalho local com o público mais jovem, passados 13 anos e fruto da dinâmica realizada as dúvidas começam a aparecer.

A metodologia de trabalho existente dificulta a perceção mediante a legislação atual e que categoriza o associativismo juvenil nacional. Consideramos até que o SYnergia pode ser uma associação um pouco divergente, no bom sentido, uma vez que atua nas mais diversas áreas de cidadania, nomeadamente na área juvenil, no desporto, na saúde, na cultura, no ambiente, na ação social, no turismo, na comunicação, na internacionalização da marca Braga, na criação de emprego, etc.

Se inicialmente focamos o território local como prioritário, apresentar agora ação espalhada por Portugal em cidades como Braga, Bragança, Mogadouro, Paços de Ferreira, Porto, Funchal, Guimarães, Vila Pouca de Aguiar (e outras tantas que estão por anunciar) e abrindo igualmente portas a trabalhos com todos os países da Europa e ainda com outros de diferentes continentes, como é o caso do Nepal, Mongólia, Índia, Filipinas, Indonésia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, entre outros, faz-nos repensar onde nos encontramos sedeados neste momento.

A legislação portuguesa não está preparada para uma ação deste género e, muitas vezes, somos “incompreendidos” em alguns projetos e candidaturas precisamente por sermos uma Associação Juvenil. Se por um lado se incentiva os jovens a arriscar e empreender, por outro, quando isso acontece e atinge este tipo de resultados, não há resposta nem enquadramento que motive e diferencie algo do género.

Sentimos, neste momento, uma emancipação jovem que traz muitas dores. É uma divergência saudável mas que nos faz pensar que os Decretos existentes devem alterar e apresentar novas respostas sociais vindas dos jovens e que comprovem que os jovens não são só uma geração de futuro mas também o são do presente ! E as instituições nacionais devem valorizar e alimentar que mais projetos do género se implementem e desenvolvam por todo o território nacional.

Para os próximos tempos temos um projeto e desafio, aprovado em Bruxelas, que pretende replicar esta metodologia nascida em Braga em várias cidades da Europa e de outros continentes no Mundo. Fazer nascer naquelas localidades este trabalho transversal da juventude e de “synergias” foi valorizado pelo poder central europeu e, com muito orgulho, levaremos o nosso conhecimento a cada um dos parceiros para que possam nascer mais associações “divergentes” nesses territórios.

Poderá estar, a partir de Braga, a nascer um novo conceito de associativismo juvenil e que vai obrigar, com toda a certeza, a que as instituições nacionais com responsabilidades na área olhem para o presente e futuro com outros olhos. Os jovens estão com vontade de mudar o Mundo e a lei atual tem que mudar para que essa ambição seja possível de concretizar. Acredito que, numa geração muito bem formada e com muitos sonhos, esta alteração possa trazer à sociedade uma nova forma de estar e de pensar em rede e partilha.

Um abraço e até à próxima crónica.

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