Editorial :: Inovação Social na Juventude

Ouvimos muitas vezes a frase “os jovens de hoje serão os Homens do amanhã”!

Apesar de perceber o significado e força que pretendem demonstrar com esta afirmação, acho-a, nos tempos que correm, extremamente castradora e injusta perante o que realmente vivemos e assistimos.
Numa sociedade marcada por uma incontornável mudança no cenário económico e sociopolítico, estimulada pela incessante tecnologia de informação e comunicação, podemos olhar e sentir uma nova geração de conhecimentos.

A juventude é muito mais do que uma fase transitória de conhecimento entre a adolescência e a maturidade. Como atores da sociedade, os jovens devem ser vistos como promotores de uma transformação social.
Se por um lado falamos da necessidade de investimento nesta faixa etária, por outro devemos pedir a esses mesmos jovens ação e uma verdadeira contrapartida de oferta à comunidade.

Se as inovações do mercado são produzidas com visão do lucro, as inovações sociais, por sua vez, visam gerar um ganho social ou responder a uma necessidade social, e são desenvolvidas por organizações cujo propósito é comunitário.

A inovação social é um processo de construção social, de geração de soluções. É um processo de aprendizagem coletiva que se baseia no potencial dos indivíduos e dos grupos, que adquirem e possuem as capacidades necessárias para realizar as grandes transformações sociais.

A consciência da inovação é um desafio em particular, inclusivé para o Estado, pois exige crença e disponibilidade, e não aversão ao risco desta tomada de decisão. Uma vez que o risco pressupõe a aceitação do erro, e o erro pode prejudicar as pessoas que o Estado deveria proteger, a inovação como prática fica naturalmente constrangida.

O cidadão não pode ser excluído do processo. A cooperação entre o setor privado e o terceiro setor será apenas o primeiro passo para o envolvimento mais amplo das comunidades.

A inovação está condicionada à coragem e a liderança está presa pela capacidade de se mostrar resultados.
Por isso, e uma vez que temos a geração mais formada e informada de sempre, defendo uma criação conjunta neste processo. Sendo necessário o estímulo do Estado para a inovação social dos jovens, desejando que os mesmos tragam respostas imediatas a necessidades das suas comunidades, devemos também entender o erro como um processo de aprendizagem coletivo e de pertença a um processo que é de todos.

O que não podemos é deixar que barrem o trabalho juvenil e de uma nova geração simplesmente porque são jovens e ainda em fase de “eterna” aprendizagem. Haja coragem e assuma-se que todos somos poucos para trabalhar no bem comum.
Torna-se por isso fundamental a existência de estruturas que congreguem estes dois esforços e que estimulem a sociedade a ser parte ativa na inovação social e resolução de problemáticas dos seus territórios.

A juventude pode e deve ser suporte para todos os campos de ação como o Emprego, a Educação, a Inclusão Social, o Desenvolvimento e o Ambiente.

Desejo e acredito que um novo modelo de gestão participativa surgirá com esta evolução da sociedade. Estará para breve o aparecimento de modelos partilhados entre o Estado, Instituições e Cidadãos. Numa verdadeira “sinergia” tudo ficará mais simples e fácil de se desenvolver. É neste mundo de todos e com todos que me revejo, e espero que os jovens possam demonstrar aquilo em que realmente são bons: fazer dos sonhos uma realidade!!!!

Ricardo Sousa – Presidente da direção

Deixe uma resposta